segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Esclarecendo coisas NÃO populares (Y)


A MINHA vida é uma comédia.
EU fumo Marlboro vermelho.
O bebê é MEU.
E... P:S: EU te amo!
Obrigada se VOCÊ quer ser EU, mas duas de mim NINGUÉM merece.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Aproxime-se, sente.

E na verdade eu só gostaria de saber de que horas você vai voltar para casa porque eu não agüento mais essa encenação, essa cara de lesada fingindo que está sempre tudo bem, sempre tudo ótimo, mesmo sem você aqui.
Eu gostaria sim de passar meus dias sem você, só para saber como seria ficar sem você por dois dias ou três, queria passar tão bem como passo numa noite de Natal, como passo um feriado bem aproveitado, mas é impossível. Sem você, meus dias simplesmente não passam. Ficam presos naquele instante até que você volte.
Esquisito, não é mesmo?
Esquisito como de repente eu sinto tanta falta de alguém que há muito tempo não é meu e que se eu for olhar minuciosamente, nunca foi. Eu, você, todos nós.
Eu não sei para que tantos esteriótipos, não sei para que serve toda essa tecnologia avançada e todo esse português correto, se do lado avesso é tudo uma bagunça só, nada funciona, nada liga e desliga na tomada.
E se eu pudesse, não lhe desligaria nunca.
Pois, eis aqui então, debaixo desse teto sem fim, sob esse chão sem direção, uma garota que só quer alguém que a ponha guardada no coração, sem toque de recolher, sem dividir espaço com muita gente. Conforto, ternura e paz.
Não é tão difícil assim, mas é que, você sabe. Já passei daquela fase onde garotos duram uma noite e só, já passei daquela fase onde ele só me é importante se tiver um carro ou um rosto bonito. Para ser bem sincera, nesta fase eu não fiquei. Estacionei no último século e não estou nem um pouco afim de sair de lá.
Algumas pessoas mudam, outras permanecem onde estão e outras pessoas simplesmente não se mesclam. Eu lhe conheço por pedaços, conhecer alguém por inteiro é complicado. Mas os pedaços que arrisquei conhecer, me encantaram. Então deixa ficar como está, deixa o amanhã resolver os problemas do hoje, deixa as águas do rio mudarem e mudarem e mudarem, até não parar mais. Neste ritmo a gente dá um jeito.
Eu só não quero mais me doer por você, não quero mais lhe ver e querer lhe ter. Não quero mais esse vazio fajuto e sem sal que fica no meu estômago tirando o meu apetite, eu só quero você. E quero que venha com todas as suas manias e todas as suas brincadeiras e todos os seus defeitos e efeitos, tudo faz de você um pedaço grande de carisma que eu quero ter para mim para sempre. Quero lhe desejar como o sádico deseja a dor, como o depravado deseja o amor e lhe desejar como o campo deseja as flores. Só não quero lhe desejar como o sol deseja a lua, eles nunca se terão.
E será que já não está na hora de você voltar para casa? Correr para a janela para ver o nascer do sol e fazer guerra de travesseiros como duas crianças travessas?
Incrível, incrível como eu não canso de esperar a sua companhia, como não canso de esperar o seu cheiro.
Não canso da cadeira vazia esperando você chegar, do café que esfria esperando você tomar, da música repetindo milhões de vezes esperando você cantar.
Venha, chegue mais perto. Faça o favor de se sentar e alimentar o que me corrói, a saudade.
Só sei que nunca estou só por ter você nos pensamentos, o tempo inteiro, sem restrição.
Sei que minha cadeira está sempre preenchida pela sua ausência e meu coração está sempre sendo alimentado pela minha solidão, pela sua falta, pelo seu desprezo que não me despreza, mas que faz com que você cegue e não me enxergue em nenhum ou em qualquer lugar.
Você me atordoa, me entorpece, coração. Você me tira do sério e depois me deixa sozinha tentando colocar o sério no lugar. Conduzindo a solidão para um lugar qualquer, onde não haja luz, onde não haja mais caminho riscado no chão, para não mais me encontrar.
Você me tira de órbita, me pega, me dobra, me coloca no bolso e depois me joga fora como um cigarro fumado, pré-fumado, mais desprezível.
E eu que só queria saber se você vai voltar, agora quero saber se você vai ficar.
Mas não tem problema não, eu supero tudo isso também. Agora só me falta sabe o que fazer com essa tristeza assanhada que me toma conta do juízo, do meu prejuízo.







P.S.: Créditos da foto para Jeh Assunção, roubei do fotolog dela. (L)

Amigas de escola

Carol, minha doce Carol.
Há anos não nos encontramos e nem nos abraçamos, queria poder tocar sua grande barriga e acariciar sem querer o seu bebê.
Minha loura, minha menina, bons foram os tempos que passamos juntas. Tantos foram os abraços, os risos (Este sim foram incontáveis), as brincadeiras.
Naquele tempo que éramos menininhas e não sabíamos de nada.
Agora você está demasiadamente longe, não apenas pela distância e sim pela presença em si. Casada, grávida, menor de idade e a confusão engolindo cada cacho do cabelo seu. E você cuidando disso tudo como se fosse a coisa mais simples do mundo, como você sempre fez.
Eu queria voltar no tempo, de repente, só para viver os mesmos momentos contigo. As duas sentadas no corredor da sala do Adelmo conversando besteira por termos sido expulsas da sala de aula. Colocar laxanta na água, esconder as chaves da escola, subir na construção, fumar escondido, comprar garrafinha, usar aquela farda feia. Vir aqui em casa e fazer uma lazanha de última hora e o melhor, comer até não poder mais.
E é claro, tirar sarro da cara da Laura.
A outra amiga,a alta, magra que era meio lesada e não entendia quase nada do que a gente falava. Hoje ela tem seus dezoito anos, seus oito meses de gravidez junto contigo e jura que é virgem como jurava naquela época. Parece que ela encontrou um pingo de juízo jogado pela rua porque conversa feito gente grande, ela também cresceu.
Eu só queria registrar, ao menos uma vez, já que eu nunca fiz isso. Queria chegar aqui e registrar que sinto a falta de vocês e que estou muito feliz, pois vou ser titia.
Minhas meninas, felicidades.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

ESTE sim é o começo do caos.
Você também sente esse vazio?
Quando não tem ombro para escorar, apóia no criado mudo. :]

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Na época de cavalos, alados.


Erasmo, o corajoso. Caiu no chão após um tiro no peito, sabe-se lá de onde veio este diacho deste tiro, sabe-se apenas que o atingiu, e só uma bala para derrubar um homem que ama. Em uma das mãos apenas meia dúzia de rosas vermelhas mortas, visivelmente murchas e escurecidas por causa do tempo. Naquele tempo, era comum homens serem um tanto mais maleáveis, até rosas colhiam para as suas amadas. Naquele tempo, neste novo não.
Seus olhos azuis já eram tomados por um vermelho sangue que reluzia o medo da noite, e lágrimas de dor e sofrimento escorriam-lhe pelo rosto molhando a gola de sua camisa preta. Tão cheirosa e macia, para terminar a noite jogada no chão sujo e ainda espirrada com gotas de glória fracassada. Laguna, doce bela, porque ainda não havia chegado?
E ele lá caído, vendo o filme da própria vida passando na cabeça sem ter tempo de ver os créditos no final, só lhe restavam poucos segundos para chorar e lamentar a nostalgia. E era só se aproximar um pouquinho do rosto dele que era bem possível ouvir os gemidos e soluços bem baixinhos, uma dor que eu nem sei se suportaria sentir. Naquele tempo, ter força e não desistir tão fácil, também era comum.
Um lindo rapaz apaixonado por uma doce donzela sonsa vinda de Paris.
E para que tanto amor? Para que tanta paixão? Se ao morrer não se espalham e nem envenenam todo o chão na qual tocar.
Um só tiro e tirou todo o certo do lugar.
Seria melhor se carregasse flores de plástico, só assim assistiriam tudo e contariam a história com final trágico para a moça que bordava acanhada na varanda. Aquela mesma que inveja um belo amor, aquela feia, sem sal e com uma péssima combinação de vestidos e sapatos. Naquela época, isso já era reparado.
E o moço lá, na mesma posição, no mesmo chão, na mesma vontade de viver para dizer à sua outra metade que a amava por toda a eternidade e aí sim ele poderia morrer.
As pessoas se amontoavam em volta do corajoso que não largava as flores, não corajoso por ainda estar respirando depois de um tiro no peito e sim por arriscar e aceitar o amor entrando em sua morada e derrubando mesas e tropeçando nas escadas e destruindo tudo, até a sala de estar. Então no fim da multidão, ouviu-se a voz da solidão ou da menina que morria em partes.
Era a francesa Laguna, doce bela, chorando em busca de refúgio ao ver seu amor morrer, morrer, morrer aos pouquinhos, numa lentidão de dar dó. Os cordões dos sapatinhos mal estavam atados, o cabelo mal penteado. Deveria estar em paz na sua casa, até que recebeu a notícia, a novidade não muito boa que chegou com pressa pela janela do quarto. Sabe-se lá o que bexiga ela fazia, deveria estar pintando uma tela, lendo Shakespeare, ouvindo Beethoven. Naquela época era moda ser culto, inteligente.
Então, como eu dizia, ela engoliu a pressa como se fosse energético e saiu correndo com esperança de ainda alcançar seu amado com vida. Vã ilusão.
Com muita delicadeza e afeição, ela pegou a meia dúzia de rosas vermelhas em uma das mãos, e guardou-as como quem guarda uma vida. Naquela época, era comum amar e amado ser.
Ali estava a vida de Erasmo, o corajoso. Dentro do bolso de Laguna, doce bela.
E 37 anos mais tarde, lá se encontrava dentro de um livro de poesias velho e maltratado pelo tempo, escondido na última gaveta do armário, a mesma meia dúzia de rosas mortas. Naquela época, ter um escritório rodeado de livros mais antigos ainda, era comum também.
E quando o livro foi aberto, além das rosas, vieram as lembranças de um amor jamais esquecido, um sentimento jamais apagado e do coração de uma moça congelado no passado. O amor é mesmo complicado, quem ousa se arriscar?

terça-feira, 9 de setembro de 2008


Se você estivesse aqui, juro que lhe faria feliz.