sexta-feira, 11 de junho de 2010

"Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo pra eu cantar."
" Você que está me ouvindo, quer saber o que está havendo com as flores do meu quintal?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal."

terça-feira, 1 de junho de 2010

A gota d'água.


Mais parecia que seria um dia de sol. Não tinha pássaros cantando para lá e nem para cá, pois a natureza quase que não mais se encaixa nos dias de hoje. Ouvia-se apenas buzinas, freiadas, “filhodaputa”’s e ainda dava para sentir um leve cheiro de café. Às 10 da manhã, fora do costume. É, 10 da manhã. Era terça-feira, 18 de maio de 2010, às 10 da manhã (Não foi um dia importante, a data veio apenas para ressaltar um dia qualquer).
E era um dia qualquer e por ser um dia tão qualquer eu não queria nada, não queria fazer nada, falar nada, nada, absolutamente nada. Eu nem sequer me sentia, estava neutra, a par do mundo, em um mundinho paralelo ao mundo real, um mundo meu, só meu, onde ninguém mais poria os pés. Não via graça na tevê, não queria sentar e ler, não queria ouvir música, nem dançar, nem rir à toa, nem rir sozinha no meu quarto em solidão como uma adolescente rebelde e desvairada aos 15 anos, sem precisão.
Não queria sair, tomar banho, trocar a roupa, ficar bonita e cair no mundo, não queria nada disso. Nada. O Nada nunca se fez tão presente em mim.

Então sentei no sofá, no sofá de enfeite. Sentei no sofá, fiquei um longo tempo pensando em milhões de coisas e nada me tirava do foco, nem a festa, nem a festa mais esperada do ano me tirava do foco. A festa de sábado que eu tanto esperei, que montei minha roupa e minha cartucheira nova. Que retoquei os cabelos e emagreci um pouquinho para não fazer feio, a festa não me tirava do foco. Parecia mais que eu não queria ir, e eu não queria ir.
Mas agora eu quero ir. E N L O U Q U E C E R. Enlouquecer, ouvir psy trance e no primeiro pulo não voltar mais para a superfície. Voar e não colocar mais os pés no chão. Sorrir uma vez e não deixar mais aquela estampa sair dali. Grudar e ser para sempre feliz. Eu quero ir, ir e me perder, quero me procurar e me encontrar, talvez até mesmo fora do foco. Ao menos ali eu quero me encontrar de alguma maneira, estou cansada de não me encontrar de maneira alguma. Quero seguir os conselhos dos velhinhos do dominó, aproveitar a juventude, usar protetor solar e não me viciar em cigarros. Não me viciar ainda mais em cigarros.

Estou cansada de ter dias iguais a essa terça-feira citada, cansada. Cansada de terças-feiras onde até o tempo se esquece de mim. Lembra que eu falei que parecia que seria um dia de sol? Pois então, de repente começou a chover. Veio a chuva de um lugar tão longe que mal se ouvia a chegada e chovia como se o céu estivesse bem pesado e quisesse desabar sobre a terra. Pois eu quero a chuva. Eu quero a chuva. Não vou nem fechar a janela porque não me importa se molhar toda a minha sala de estar. Eu quero a chuva, molhar os pés, acender os faróis, o frio.
Nem pensei duas vezes, coloquei minha roupa de banho e fui à piscina. Eu saí de casa às 14:14 e voltei às 14:41, bem irônico, eu sei, mas 20 e poucos minutos são muito pouco. Tantas tainhas e txibuns e uma vontade imensa de me perder nas águas, vontade de de repente ser água também, e ninguém mais me encontrar. Parecia que a eternidade estava ali, boiando ao meu lado. Com o mesmo frio e sentindo as gotinhas da chuva fazer cócegas no rosto. Imersa. Estava imersa em uma tristeza profunda, tão profunda que meus pés nem tocavam o chão. E todo esse escuro e toda essa profundida estava emersa do mundo, longe, for de onde eu estive um dia.
A eternidade se fez presente e de repente se fez saudade. Aiai, aquela velha vontade de derreter e não ter mais dor, nem saudade nem vontades e nem nada deste tipo. Vontade de ser taça de vidro e sair de boca em boca e de repente se repartir no chão, jogada por um poeta bêbado que de tão embriagado perde as estribeiras e me fazer em milhões de pedacinhos tão pequenos, mas tão pequenos que para recolher por completo teria que pressionar o dedo com cuidado sobre esses pedacinhos e depois lavar as mãos. Cair e virar pó.
Vontade de ser transformada em pó e de repente passar o vento e me levar, fosse para qualquer lugar, diante de qualquer inverno, de qualquer inferno, que o vento me levasse e me espalhasse pelo mundo. Talvez assim eu não me importasse com o tempo que não se importa comigo. Talvez os dias fossem apenas bonitos, nem tão curtos, nem tão longos, ou sei lá, eu não ia me importar mesmo, poeira não tem sentimento, não tem saudade.
Poeira não tem alergia, não tem vontades, nem compromissos e nem responsabilidades e nem a culpa de nada não ter nada certo por causa dela. Não que não dê, mas ela simplesmente não se importa. Ser poeira e dali por diante não chorar mais, não amar mais, não sentir tanto assim por algo que nem dói tanto assim. E eu que pensei que só o tempo não esquecia de mim. No mais, isso passa.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Você segue, mocinha.



Querer correr para um lado e acabou por ver que não há mais um lado com um lugar seguro para ir, querer abrigo e não ter mais braços para tal, nem para abraçar e nem para envolver, ou pendurar um quadro ou lhe ser útil de alguma maneira, de qualquer maneira. Procurar acreditando que tem e perceber que não tem quem sempre pensou que teria, e temer nunca ter. Como todas as vezes você está sozinha, procurando o que lhe prometeram há anos e fingindo que não viu tudo indo por água abaixo. Procurando o que ninguém escondeu, afinal nunca houve, nunca existiu, tudo não passou de uma farsa.
E você segue, mocinha, você segue fingindo que não se importa, e até tentar fingir que muito suporta e espera tudo se pôr em seu devido lugar. Mas é uma linda utopia, tudo não passa de uma magnífica e tão amarga utopia. Não adianta mais sair fingindo para os sentimentos que estão sempre dentro de você, aqueles que ninguém tem o poder de arrancar com as unhas e cozer para o jantar. Aqueles que nunca irão lhe deixar calar, aqueles que nem sequer se calam, aqueles que apenas lembram. Lembram quem você é, quem você sempre foi e quem você nunca será.
E sua vergonha vai causando dor na região periumbilical e atravessando a sua carne e imobilizando seus membros inferiores. - A puta... a enfermeira frustrada ... a metida a técnica de enfermagem diz “ procura um médico, deve ser apendicite” - . Porra de apendicite! Simplesmente não tem mais onde doer, o coração de repente ficou pequeno demais e o fígado tem aquele poder de cicatrizar. - Hahaha O fígado tem o poder de cicatrizar, quisera eu que fosse o coração! – E o coração além de fraco é surdo, e aquelas vozes vão entrando nos ouvidos, atravessando os tímpanos e se perdendo no labirinto que nem é tão grande assim. E quando chega aí, meu bem, quando chega aí é só juntar as palmas e rezar como uma criança com medo. Essas vozes se perdem e não podem mais sair e quando finalmente se encontram, estão alojadas em um músculo, como uma bala de um tiro muito mal dado que alguns olham assustados e dizem “vai ficar tudo bem, não se preocupe, vai ficar tudo bem” e não dizem que não sabem o que fazer, pois se tirarem a maldita bala tiram-lhe também o movimento das pernas.
Hahaha, as pernas que te levam de um lado a outro e nunca te tiram do lugar. Que cansam de tanto te levar de um lugar a outro e no final não te levam a lugar nenhum.
Quisera eu ser um pássaro, em situações como essas levantaria vôo e partiria no meio do mundo sem ter chances de voltar. Mas como na verdade nada sou, que eu ganhe forças para suportar esse peso, essa vida que mal quer me levar.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Bra.ma.lho


Bramalho. Bra-ma-lho. Eu gosto de te chamar assim, eu gosto de repetir seu nome. B r a m a l h o .
Estou sentindo uma necessidade de você. Eu pensei em chamar de saudade, mas saudade seria muito pouco, necessidade soaria mais suave, um pouco mais suave, ou talvez mais dolorido, ou talvez... ou talvez mais... apenas mais.
Anéis de parafusos, milshake das cinco, abraços que pareciam nem mais ter fim, como essa saudade, essa saudade tão intensa que merece outro nome.
Carona de uma esquina a outra, lanchonetes, risinhos safados, mentiras safadas e verdades depois. Coca com gelo, com muito gelo, por favor.


Onde você deve estar agora? Qual camisa deve estar usando? Será que está com aquele mesmo boné? Aquele bonito que te deixa tão mais jovem. Haha, sua idade, desculpa, eu tinha mesmo que lembrar. Você sabe, velhos tempos não são feitos apenas de coisas boas, existem os desconfortos, tristezas e timidez. Eu engordei, eu sei! Também sabia que você sabia e ia fazer questão de me lembrar, vamos tomar sorvete? E peça o seu com duas bolas para não querer tomar do meu. Haha. A gente nunca muda, ou a gente nunca deveria mudar.
Eu comprei livros, gastei todo o meu dinheiro comprando livros. Era o que você mais queria que eu fizesse, lembra? “Pára de gastar com boate e compra livros, compra algo que lhe ensine alguma coisa.” Agora é disso que estou me alimentando! Minto, não só de livros, mas também de Dexter.
Todas as tardes eu assisto um pouco, leio um pouco, canso um pouco e vou te procurar no teto do meu quaro, ou no mínimo vou te esperar arrumada achando que você vem me buscar. Eu me mudei, lembra disso? Você já sabe onde eu moro, o número do apartamento, por que não vem me ver? Não lhe faço sentir saudade? Não sente falta das minhas manias e nem das minhas bobagens? Eu sinto falta o tempo inteiro de você, do que lhe faz sorrir, do que lhe faz olhar estranho, falar qualquer coisa, pensar qualquer coisa. As coisas poderiam ser muito mais fáceis se não houvesse sentimentos, muito mais fáceis, mas não seriam nada bonitas e nem faria nenhum sentido zelar por elas. Por isso que eu imaginava um mundo lindo quando estava contigo, por isso que sempre que nós saíamos aparecia um arco-íris no céu, borboletas posando no capô do carro, beija-flor beijando as janelas. Smack!

Poderia ser um samba à noite, uma mesinha, a tal coca-cola com muito gelo, uma comida limpinha e qualquer. Poderia ser o hall de um prédio, escuro, sem poltronas e nem almofadas, apenas uns banquinhos onde pudéssemos encostar as costas e quando desse aquela preguicinha da madrugada, deitar e esquecer um pouco a hora de voltar para casa. Ah, e algo para comer! Ou um estacionamento qualquer, um supermercado qualquer, uma desculpa qualquer e estava tudo correndo perfeitamente bem. Contando que estivéssemos juntos de uma maneira qualquer.

O mundo está nas últimas, meu amor, acho que não vou conseguir realizar todos aqueles sonhos que te contei, mal sei se será possível outro carnaval como o nosso. Eu sei que estou longe, mas estou em uma distância que você ainda pode me alcançar e se você me chamar, eu ouço. Na verdade, ouvirei em qualquer lugar do mundo, sua voz está grudada em mim, sua vontade está grudada em mim e seu desejo é meu desejo, sua vontade é meu dever.
Eu não quero mais sumir de ti, nunca mais. Quero chegar logo por ter pressa, lhe abraçar por ter frio, lhe sorrir por querer o seu de volta e respirar tão profundamente como antigamente. Respirar como quem sabe que a vida está dando certo e que por mais que o mundo se dê um nó e machuque e sufoque todas as coisas e pessoas, eu sei que vou ficar bem por saber que posso segurar sua mão.
E também sei que neste instante sou puro fruto da tristeza, puro fruto de uma árvore que nunca morre e nunca pára de crescer, e sei ainda que hoje não vamos nos ver e talvez amanhã também não, mas o que importa é que ainda lhe tenho em algum lugar dentro de mim, em algum dentro de ti.

- Eu venho já, vou ver o final do Dexter.
- Você nunca volta. – disse.

Eu sempre volto, meu amigo, meu amor, meu anjinho. Eu sempre volto, mas eu volto em silêncio e você que nunca vê. E você de repente sai e aí eu de repente saio e nós nos de repente nos perdemos outra vez. E de repente nos encontramos e de repente nos falamos e de repente não mais. E eu penso como sinto sua falta e você deve pensar “será que ela me amava como dizia?” e eu digo que sim, eu sempre direi que sim.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Branquinho dos olhos de areia


Eu lembro que ela entrou na sala – ela, a bombeira – soltando fogo pelas ventas e parecendo um tiro de espingarda.
- Eu descobri tudo, eu consegui tudo! Eu falei que ia desmascará-lo.
E desmascarou mesmo. Ele, coitado, perdeu uma grande mulher. – Ele, o marido da bombeira.
Ou melhor, coitado é o caralho, ele, otário, perdeu uma grande mulher. E logo ela, a moça que apaga fogo às pressas estava mesmo era morrendo de vontade de atear fogo no mundo. Cabum! Explodir tudo de vez e recomeçar essa merda de novo, para ver se dessa vez dá certo.


Enfim, como eu estava dizendo, ela descobriu tudo. Onde a moça trabalha, onde mora, com quem mora, seu endereço eletrônico, sua estatura, sua função no trabalho. A moça. A moça? Como hei de chamar uma mulher deste tipo de moça? Eu vi as provas, a bombeira mostrou tudo. “A moça” não passa de uma oferecida, do tipo sem valor, mas com um preço que até pode negociar.
A bombeira tremia e criava planos mirabolantes, mas que se tinha para fazer? Como ela deveria estar se sentindo? Como uma mulher deve se sentir? Esquecida, deixada para trás, mal amada, mal tocada, invisível. Deve se sentir como se não merecesse um “Boa tarde”, como se não merecesse nada, nem sequer o respeito nem como esposa, nem como batalhadora e tampouco como ser humano, como mulher. Faz almoço, faz jantar, lava a louça, arruma a cama, chama para deitar, manda beijo, tenta abraçar, pede desculpas e no final? No final não lhe resta nada. A não ser um cansaço intenso e um vazio que sono algum consegue preencher.


Nós estamos no mesmo barco, bombeira, estamos no mesmo barco. E vamos depositar forças nos braços para remar senão a gente se afoga.
E nesse medo de afogar eu voltei para casa, pensando nas milhões de chances que eu dei e que no final me voltaram como facas afiadas cravando uma a uma entre uma vértebra e outra da minha coluna. Creck, creck, creck...
Eu te falei, menino, eu te pedi. Eu falava “Meu anjo, meu anjo, confia em mim, me conta, não me deixa descobrir.” Como você conseguiu? Diz para mim, como você consegue olhar para a minha cara todas os dias sem nem um pingo de remorso?
Branquinho, Branquinho, a vida não é assim tão fácil não. Tudo o que vem fácil, vai fácil e somos nós que ficamos no difícil. Eu sei que não sou a melhor das criaturas, que tenho lá meus espasmos, mas Branquinho, Branquinho, seus olhos com cor de areia não conseguem mais mentir para mim. E nesse peito aqui, ó - “toc toc” – nesse peito aqui não entra mais faca afiada não. Vem, Branquinho dos olhos de areia, bate aqui, está ouvindo? Está ficando cada vez mais oco, daqui a pouco se falar muito perto vai ecoar lá no outro lado do mundo, na China, onde o pessoal tem olhinhos estilo tela widescreen.


Só me atinge porque eu não posso compreender, eu não quero compreender, é difícil acreditar em alguém e de repente ver que não se pode mais. Conseqüentemente, a sua confiança em todo o resto do mundo vai para o saco.
Eu sei que daqui a pouco você vai levantar dessa cama e dizer que jura que não fez nada, vai pedir para que eu acredite em você e encher os olhos de carência. Mas Branquinho, o primeiro passo já foi dado e eu não vou te deixar dar esse segundo passo não. Não pense que eu vou ficar esperando para tomar alguma atitude, esperar cansa e minhas costas doem. Talvez por causa das facas afiadas e enfiadas ocupando o lugar dos meus discos cartilaginosos já destruídos, talvez por isso, deve ser isso. Você tem boa pontaria, meu rapaz, você tem boa pontaria.


Eu mesma tentei acertar meu corpo inteiro em um calabouço e sempre errei. Talvez além de pontaria você tenha mais coragem do que eu. Mas é assim mesmo Branquinho com os olhos de areia, é assim mesmo, algumas vezes algumas pessoas não conseguem falar o que tanto querem e agem para transmitir a mensagem, e eu já compreendi. - Essa é a chamada Teoria do signo, no meu ramo. - Suas escolhas são suas escolhas e não posso fazer das suas as minhas, portanto, fique em paz. E perdoe se não quis ser cúmplice da sua tentativa frustrada de resgatar o passado sujo para s(m)eu presente também sujo, mas eu ainda tenho uma grande intenção de limpar.
Apesar de que ainda tenho a grande vontade de acertar o centro do calabouço, enquanto isso, eu vou tentar evitar que tudo fique pior.


Branquinho dos olhos com cor de areia, eu pensei que estava escrito nas estrelas, eu pensei. Pensei até que mesmo quando o sol raiasse eu conseguiria ler, mas essa noite a estrelas esqueceram de escrever e quando esquecem uma vez, elas nunca mais recordam.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Eu encontrei, encontrei o meu amor.
Deste ângulo vejo apenas costas, um caminho cada vez maior
e um Adeus muito mal dito.
Ele diz que me ama, mas está indo embora
Diz, mas vai.
Como dói aqui dentro.