quinta-feira, 9 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Eu quero amar sozinha.

Eu não quero que você me ame. O amor não se cria, não se planta, não se compra, não se pede por telefone com entrega rápida em domicílio, não se exige, não se implora, não se importa, não se exporta, não se impõe... O amor nasce. Nasce e não é possível evitar, não é possível abortar. O amor simplesmente chega, derruba tudo, toma conta do lugar e se o amor invadir, não há como ter sossego. Ele não te deixa dormir em paz, nem jantar em paz, nem sonhar em paz, nem sequer escovar os dentes em paz. O amor distorce a rotina, remonta o dia-a-dia e até uma pedra perdida na estrada vai ser bonita aos olhos de quem ama.
E não é nada, eu hoje só não estou muito disposta a ter que aturar suas dores por alguém que você ama quando este alguém não sou eu.
Hoje não.
Eu odeio ter que deixar algo para o dia seguinte por ter medo de talvez esse tal dia seguinte nunca chegar, mas se eu estiver sem você novamente, eu nem faço questão.
Então eu deixo para amanhã, tudo o que você quiser me dizer sobre o seu grande amor você pode me dizer hoje, agora, mas eu só quero entender amanhã, ou nunca.
Talvez se eu nunca entender, nunca mais me doa. Mas só talvez.
Eu até tento ser clara contigo, às vezes crio uns labirintos para testar sua pressa, e você sempre sai a tempo.
Mas hoje, ao menos por hoje eu quero ficar presa nele. Quero me perder num projeto que eu mesma construí, quero não achar a saída, quero sentar encostada numa parede coberta de folhas verdes e rosas vermelhas e não saber para onde vai aquela estrada e nem saber qual é o caminho certo. Eu só quero ficar presa sozinha.
Quero deixar meu amor e meu sentimento sem nome do lado de fora do labirinto, quero não me apegar a você e nem às suas idiotices. Eu quero não me apegar a você, não se você não for se apegar a mim.
E o amor hoje arranhou o meu disco de vinil, fui ouvir minhas músicas antigas e não passava de “Meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo. Tudo certo como dois e dois são cinco." Ele, na verdade, só queria chamar um pouco a minha atenção.
E eu queria decepcionar e dizer que desta vez não.
Eu queria desapontar e dizer que desta vez eu não ouvi o amor me chamando em silêncio, mas eu desaponto a mim mesma quando vejo que não consigo me fazer de surda para este tipo de coisa.
Portanto, já que para você o amor que lhe sinto é nada mais, nada menos que uma página já lida de um belo livro do extraordinário (idolatro mesmo) Gabriel García Márquez, faça-me o favor de me esquecer.
Esquecer meu jeito "maneiro" de ser, esquecer que eu te faço sorrir, que eu gosto de você e que eu sinto a sua falta todos os dias que você não está.
Faz de conta que eu nem estou aqui, faz um esforço e faz de conta que eu nunca estive, que nós não nos conhecemos e que eu não te dei meu coração de presente embrulhado numa caixinha coberta com brilhantes, faz de conta que eu não existo, faz de conta.
Faz de conta e pára de insinuar que sou eu quem não sabe amar nisto tudo, nesta porra, neste caralho, eu sei. Sei mais do que muita gente, tanto quanto ou até mais que você, eu sei. Eu sei o quanto dói, então quando você me ver correndo em direção do nada, não me pare. Eu estarei tentando fazer com que o meu amor por você não me pegue novamente, isto é, se ele conseguir me largar para que eu possa fugir e chamar a sua atenção correndo feito louca sem direção. Puta que o pariu! É você quem não entende! Você.
Você quem não entende, é só a languidez de quem amou em silêncio.
E essa languidez eu conheço muito bem, ainda estou padecendo nela.
E enquanto não chego ao final, continuo lendo "Memórias de minhas putas Tristes" do tal esplêndido (o que eu idolatro mesmo) Gabriel García Márquez.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
A menina do vestido estampado.

Mariana Heck,
eu não sei porque, mas tive uma intensa vontade de lhe escrever o que talvez nunca tenha lhe dito, por timidez, quem sabe?
Mas se eu soubesse que você iria me fazer tão bem, teria lhe dirigido a palavra com mais pressa, com mais graça, com mais garra.
Você não me cansa, não me estressa, você não me tira do lugar. Fica ao meu lado, me diz o que pensa e eu que me vire para te interpretar e interpreto. Da melhor maneira ou da maneira que for eu sei o que você quer dizer mesmo quando finge que diz e não me diz absolutamente nada.
A vida foi bem justa quando deu uma rebordosa no mundo e me posicionou bem ao lado seu, foi bem justa quando me uniu a você e agora temos um elo que eu não quero nunca romper.
Eu te amo, com os boatos que as mentes férteis de crocodilos criam sem saber das conseqüências, com o medo de que você também vá embora, com sua impaciência, com sua irreverência e com as coisas erradas e inevitáveis que você faz/pensa/sente como amar quem não merece nem uma gotícula cuspida do seu amor que é de longe incrível e de perto um tanto quanto... Surreal.
Eu te amo, minha menina. Eu te amo porque depois de você eu aprendi N coisas sem que você percebesse, porque você me aceita com todos os meus defeitos e eu te vejo conversando com o passado e suportando esse presente e sem querer sair daqui. Eu te amo pelo seu esforço pelas coisas, pela sua boa vontade, pela sua perseverança, pela sua bondade que é tamanha a ponto de não caber neste corpo tão pequeno e sair por aí distribuindo afeto, e atingindo todo mundo que você encontrar.
Eu te amo, não que você seja perfeita, mas te amo pela perfeição que você me passa quando me faz sorrir sem se esforçar, você me faz bem, também me faz feliz e eu te amo porque foi isso o que eu sempre quis. Encontrar pessoas que me façam sentir falta e que façam meu presente valer a pena a ponto do ontem e do anteontem não me atingir tanto quanto o vazio do hoje.
Eu te amo porque você também me restou, ficou comigo na poeira da solidão. Não me largou e não me mentiu afeto, e eu morro de medo que o mundo tenha outra rebordosa e pare com brutalidade e afaste as nossas cadeiras.
Então me deixe prender-me a você, sem correntes, sem algemas, apenas com o coração.
E quando eu digo que te amo, eu digo porque sei que sem você muitas coisas perderiam o sentido. Quando eu digo que não quero que vá embora, eu digo porque sei a invasão de saudade que chega quando você não está e quando eu digo que vou estar ao seu lado para sempre, é porque mesmo com a parada brusca do ônibus chamado Mundo eu não vou nunca te perder de vista. E vou estar disposta a colocar minha pele a risco e meu coração no fogo por você.
Com amor... Zuicy.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Passo de dança.
E quando a dor já não mais me doía tanto assim, você teve a brilhante idéia de me aparecer com um sorriso de amanhecer. Eu ainda fechei os olhos e desejei acordar depressa, mas não era um sonho e o salão não era o meu quarto escuro, sem charme. Eu até falei que estava no caminho errado, mas minha voz virava música, eram notas musicais para todos os lados e você me chamou para dançar.-Dá-me a honra de dançar contigo esta canção?
E éramos somente nós dois fazendo passos no salão e os meus pés quase não tocavam o chão, e eu via a minha dor que já não mais me doía tanto assim abrindo alas para a minha chegada e para a minha solidão, ia começar tudo outra vez. Over and over again.
Eram o silêncio profundo e a ternura eterna que iam me consumindo aos pouquinhos. Pedaço por pedaço de mim, pedacinho por pedacinho mal amado aqui dentro. Tudo consumido por um silêncio profundo, ternura e depois de umas notas musicais e uns passos a mais, consumido também de mágoas.
Aquela amargura que há tempos não queria nem sentir o cheiro, estava fervendo e borbulhando o meu sangue, a amargura que há tempos eu não queria nem sentir de qualquer maneira, estava fazendo de mim um pedaço usado. Eu era um ser inteiro em pedaços de aflição.
E foi para não me entregar de vez aos braços quentes do homem que por algum tempo foi para mim meu caminho proibido e de repente quase sem sentido abriu as portas, me jogou um tapete e me convidou para passar, que eu fugi de mim mesma e fui tentar encontrar a minha dor. Que me acompanhou por tanto tempo, me afastou da solidão escura e acabou por me lagar e me deixar semi-só no salão por acreditar que a música destrói qualquer dor. Mas a minha não, a minha era surda e não teria Bethoween ou Amadeus que a fizesse derreter e se misturar com as lágrimas já deitadas no chão prestes a afundar num vazio sem fim e ser também desfragmentada e transformada em uma gotinha pequena sem gosto, sem cheiro, sem cor e principalmente sem luz.
-Aonde você vai?
-Fugir de mim ou me encontrar, ainda não sei.
-Você sempre foge de si mesma quando se encontra em mim?
-Sempre.
Em instantes eu senti o chão que era frio a ponto de me subir pelo salto e gelar minhas pernas, derreter como flocos de neve dinamarquês no verão. O chão sumiu, o frio ficou...Ficou com medo. E eu fiquei com frio e com medo e com verão me corroendo o coração, me embrulhando o estômago e me atormentando o juízo. Eu o amava.
-Você não ia embora?
-Já fui, faz tempo.
-Não foi, te vejo.
-Não existo, não mais.
-Existe, é claro.
-Ainda me vê?
-E sinto.
E novamente éramos somente nós dois, sem saudades batendo à porta do salão, sem amor com medo da solidão. Só tinha amor procurando um lugar seguro para se esconder, além de mim, além dele, além de debaixo da mesa. Éramos nós dois nos mesclando com a ternura que se espalhava pelo ar, enquanto as estrelas faziam a festa no sistema solar, enquanto os pássaros posavam, mas não cansavam de voar, éramos nós, éramos nós, éramos apenas nós.
E ele me alterava em fração de segundo, coração ficava batendo a mil por minuto e quase nada de repente.
-Fique.
-Não.
E larguei o que me prendia ali mesmo. Corri pensando no que poderia acontecer se eu ficasse. E pensei tanto que quase não conseguia correr, meus pensamentos não cessavam e meu coração não queria mais ser o apogeu da minha dor – e que dor – enquanto eu conseguia fingir que estava sempre tudo muito bem. E se ele fosse embora para sempre como havia prometido? E se resolvesse ficar? E se não mais me amasse? E se fosse tudo uma grande e bonita mentira? E se não houvesse um final para que eu pudesse puxar minha poltrona, sentar e assistir? Eu não queria ver o final. Então corri, corri até perder o fôlego e quando quase não me restava oxigênio, eu voltei.
-Hey, espere. Estou aqui, de volta.
-Esbaforida. Para que tanta pressa?
-Para não lhe perder.
-Nunca, nem de vista.
-Eu te amo.
-Faz-me rir.
-Eu te amo.
-E se não der certo?
-Vai valer a pena da mesma maneira.
-Então façamos valer.
E depois de algum tempo, não tão simples como uma poema mal escrito, tudo isso não deu certo, mas valeu a pena.
